quarta-feira, 3 de dezembro de 2008




COMPUTADORES INVADEM ESCOLAS BRASILEIRAS E MODIFICAM A RELAÇÃO EDUCANDOS E EDUCADORES

Uma Nova arma a favor da Informação


O computador faz hoje parte das escolas brasileiras. Essa sem dúvida é uma nova arma para o avanço do conhecimento entre os estudantes do país. Recheado de opções que vão desde a Internet até softwares educativos e didáticos o computador vai servir como um novo meio de levar até as crianças, adolescentes e jovens uma nova forma de aprender e adquirir conhecimento. Importante é que essa nova tecnologia está mais adequada aos tempos e permite uma substituição da velha forma de ensinar: os já ultrapassados quadro negro e giz. Utilizando vídeos, infográficos, fotos, entre outras muitas formas de apresentar o conhecimento, o professor agora pode cativar levando-os a um maior interesse para com a informação. Então, talvez, essa seja a saída para o poço que aparecia diante da relação aluno/professor. Inclusive, acredito, uma das mais significativas tanto para educandos como para educadores.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

PROINFO

*1ª parte*



*A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA CAPACITANDO PROFESSORES:
Em busca de novos espaços para a aprendizagem*



Ligia Silva Leite

Christina Marília Teixeira da Silva





Educação a Distância e a nova compreensão do processo ensino-aprendizagem


É de conhecimento de todos que a EAD (Educação a Distância) já está entre
nós há mais de um século. Ela tem marcado sua presença fazendo uso de
diferentes tecnologias, desde o material impresso, passando pelo rádio, a
televisão, até chegar aos computadores. O desenvolvimento da tecnologia da
comunicação deu-lhe novo impulso, colocando-a em evidência nesta última
década.


Certamente a evolução tecnológica tem tido papel importante no processo de
maturação da EAD, de "alternativa" hoje ela é considerada uma modalidade de
ensino regular; e todas as formas de EAD dependem de algum tipo de
tecnologia, mesmo a mais antiga como correspondência, dependia da impressão,
escrita e correio. Agora temos muitos outros tipos de transmissão da
informação, desde a televisão educativa à videoconferência e redes on-line.


Sabe-se que a EAD se apresenta hoje como uma modalidade de educação que
possibilita a inovação dos procedimentos de ensino, o desenvolvimento de uma
educação extra-escolar que se utiliza dos diversos meios eletrônicos de
comunicação, possibilitando o acesso de novos públicos em locais distantes e
dispersos geograficamente (Zamudio, 1997). Já não carregamos mais conosco a
ilusão de décadas atrás, tão bem descrita por Haeberle (1997):



As primeiras transmissões de um sinal televisivo via satélite, capaz de
chegar a qualquer lugar do planeta, fizeram florescer grandes ilusões nos
educadores. Eram os anos 60. A possibilidade de multiplicar a imagem e a voz
de um professor e de chegar aos lugares mais distantes fez pensar que o
problema da marginalização educacional de boa parte do mundo estava
resolvido. (p.363)



A experiência acumulada nesta área nos permite afirmar que não é a
tecnologia que garante o sucesso da EAD. Os professores precisam saber como
fazer EAD. Ensinar a distância é muito diferente de ensinar presencialmente,
mesmo para professores com larga experiência em ensino. São necessárias
diferentes habilidades de apresentação da informação e de planejamento,
desenvolvimento e avaliação de estratégias de ensino nas quais professor e
aluno estejam distantes fisicamente. Além do mais, é necessário dominar o
meio ou o sistema de transmissão da informação adotado. Nas próximas décadas
veremos uma nova geração de professores que terá realmente se graduado a
distância e adquirido experiência real para realizar cursos via EAD.



*2ª parte*

Ao se considerar o ensino a distância como uma possibilidade pedagógica
(Chute, em Schaaf 1997), apresenta seus benefícios em três amplas
categorias: (a) alta relação de custo-benefício, pois pode treinar um maior
número de pessoas e com maior freqüência, reduz custos de deslocamentos de
pessoal, e novos alunos podem ser incluídos no sistema sem custo adicional;
(b) grande impacto, uma vez que o conhecimento pode ser comunicado e
atualizado em tempo real, treinamento efetivo pode ser recebido pelo aluno
no seu computador em casa ou no trabalho, e vários locais podem ser
integrados sendo a aprendizagem em grupo realizada ao vivo e mediante
programas interativos; e (c) o aluno possui um maior número de opções para
atingir os objetivos de aprendizagem, especialistas remotos estão
prontamente acessíveis, ao vivo ou via programas pré-gravados, e as
oportunidades de interação do aluno com o professor são multiplicadas.


Um aspecto ainda mais complexo diz respeito ao fato da EAD requerer que as
instituições alterem significativamente sua rotina de trabalho, como por
exemplo: políticas e procedimentos de inscrição de alunos em disciplinas,
horários das aulas, procedimentos de avaliação, formatura e presença nas
atividades de ensino.


Enfim, a EAD se apresenta na esfera pedagógica como mais uma opção
metodológica que, por ser relevante, merece a nossa atenção. Ela traz
consigo características próprias que impõem a necessidade de novas
aprendizagens por parte de quem a planeja, desenvolve e avalia, implicando,
inclusive, na necessidade de que seja construída uma nova maneira de
compreender o processo de ensino-aprendizagem. Isto porque o ensino e a
aprendizagem que acontecem no processo educativo a distância possuem muitas
características distintas das identificadas na educação presencial, como já
especificado anteriormente (Beaudoin, em Wolcott, 1995). Diante dessa
realidade, e considerando a demanda para a formação de educadores preparados
para lidar com esse tipo de educação, surgem algumas questões: Como
capacitar o professor para EAD? Será suficiente que ele domine apenas as
estratégias mais tradicionais de EAD ou devemos buscar uma formação mais
atualizada, que englobe o preparo do professor para fazer EAD via rede de
computadores?



*3ª parte*

Por que EaD via rede de computadores?



Quando se fala em EAD não mais se pode limitar seu escopo ao uso do material
impresso ou da televisão. Os sistemas de EAD comportam e até solicitam a
utilização de mais de uma tecnologia de maneira integrada.


Hoje a tecnologia permite que se tome contato com a realidade
indiretamente. A relação do educando com a realidade não se limita mais à
sua experiência pessoal e ao que a escola e a família lhe proporcionam,
administrando a informação e os modelos de interpretação da realidade. As
fontes de informação estão muito mais diversificadas e a escola tem o dever
de estimular novas formas de experimentação e criação dos educandos; para
que essa função seja cumprida, os professores devem estar capacitados para
tal, principalmente quando esse ensino for feito a distância via rede de
computadores, porque suas características são diferentes das que estamos
habituados no ensino presencial.


Em artigo publicado há quase dez anos, Marker e Ehman (1989) relatam
pesquisas na área de formação de professores e indicam que apenas 29% dos
futuros professores se sentiam preparados para usar computador no ensino.
Enquanto isso, o dobro do número de seus professores achavam que os futuros
professores estavam preparados para ensinar com computadores. Hoje a
tecnologia está mais presente entre nós, porém a sua complexidade também
aumentou e, o seguinte pensamento destes autores parece ainda ser válido:
"Precisamos trabalhar no sentido de aumentar o preparo dos professores em
relação ao uso da tecnologia no ensino" (p.26), quer seja para o ensino
presencial ou a distância.


As tecnologias da comunicação já permitem que profissionais se atualizem
mediante cursos de EAD via rede de computadores recebendo materiais escritos
e audiovisuais pelo www (world wide web). Moran (1998) também nos lembra que
o desenvolvimento tecnológico já possibilita inclusive a utilização de
videoconferências na rede, permitindo que várias pessoas, em lugares bem
diferentes, possam ver umas as outras, comunicarem-se entre si, trabalharem
juntas, trocarem informações, aprenderem e ensinarem.


A rede de computadores possui atributos que segundo Hackbarth (1997) a
caracterizam como um meio distinto de ensino-aprendizagem. São eles: provê
acesso de maneira econômica e as informações que são apresentadas em
formatos variados e não encontrados em nenhuma outra combinação de meios; a
maior parte do conteúdo da rede em geral não está disponível em nenhum outro
formato, a não ser no original dos autores; a rede permite que o trabalho do
professor e dos alunos possa ser compartilhado com o mundo, de maneira
diferente da que o aluno pode encontrar no ambiente tradicional de ensino;
alunos abordam a rede com vontade, motivação, respeito e receio, sabendo que
é uma tecnologia de ponta, utilizada por profissionais atualizados e adultos
de sucesso.


Dentre as mudanças utilizadas pela informatização via rede, identifica-se a
necessidade de manejo de múltiplas fontes de referência, mediante
intervenção ativa do usuário, que tenderá a aplicá-las de modo cada vez mais
autônomo (Protzel, 1998). E, certamente esse tipo de construção de
conhecimento, não linear, não seqüencial, possibilitados pelos sistemas de
hipertexto e hipermídia, requer dos atuais professores novas aprendizagens,
principalmente no que diz respeito ao planejamento, desenvolvimento e
avaliação de programas de EAD via rede.



*4ª parte
*A rede de computadores apresenta-se hoje como elemento que pode modificar
significativamente a educação presencial. As paredes das salas de aula se
abrem, hoje esses tradicionais locais de ensino-aprendizagem têm o tamanho
do mundo. As pessoas podem se comunicar, trocar informações, dados,
pesquisas a qualquer hora e de qualquer lugar.

Há nítida tendência de que o acesso à Internet, programas de EAD, tecnologia
portátil e redes sem fio estejam emergindo, crescendo em popularidade e
tornando possível o oferecimento de novas oportunidades para todo tipo de
estudante (Schlumpf, 1998). Talvez alguma dessas realidades ainda estejam
distantes de nós, principalmente no que diz respeito à capacitação de
professores, porém é importante manter em perspectiva o caminho para o qual
têm seguido as tendências educativas no que diz respeito ao uso da
tecnologia.


Essa nova realidade impõe a necessidade de que o processo educativo seja
revisto e que sejam descobertos novos espaços para aprendizagem via rede de
computadores. Qualquer que seja o curso de EAD voltado para o professor,
Zamudio (1997) nos lembra que ele deve possuir como um dos seus objetivos a
autoformação, pois a autonomia do indivíduo, no seu sentido pleno, é um
compromisso de todo processo educativo. O mesmo autor sugere que, para
contribuir para essa finalidade, os materiais pedagógicos produzidos devem
estar acessíveis, ser de fácil consulta, introduzir o professor
progressivamente ao conhecimento, à compreensão, à análise e à aplicação do
conteúdo a ser trabalhado.



*5ª parte
*É importante ressaltar algumas considerações relacionadas à construção de
novos espaços para a aprendizagem via EAD:

· Um curso de EAD via rede deve ser planejado, desenvolvido e
avaliado por um grupo interdisciplinar. Devido a complexidade do próprio
processo educativo, aliada à complexidade do domínio atualizado das
informações e dos mecanismos de interação com a rede, dificilmente um único
profissional desenvolverá um trabalho de EAD de qualidade, se trabalhar
isoladamente.

· Para que um curso via rede seja desenvolvido é fundamental que seja
feito previamente um plano instrucional detalhado do curso.

· Os professores, pessoal administrativo e de apoio envolvidos em um
curso via rede precisam desejar aprender uma maneira totalmente nova de
comunicar a mensagem e de garantir que a aprendizagem aconteça.

O professor ou equipe de professores responsáveis pelo desenvolvimento de
um curso via rede devem ter experiência de sala de aula e terem dado o curso
presencialmente.*



*6ª parte
*· O professor ou professores que desenvolveram um curso via rede
devem ser responsáveis pelo seu oferecimento, pelo menos na primeira vez que
o curso for oferecido via rede.

· Os alunos que se inscreverem em cursos via rede devem ter
experiência prévia de navegação na Internet, ou o curso deve incluir uma
unidade introdutória de modo a familiarizar o aluno com esta tecnologia.

· A tecnologia e o pessoal técnico de apoio devem estar disponíveis
para que um curso via rede possa ser oferecido.

· A seleção das novas tecnologias a serem utilizadas em programas de
capacitação deve ser orientada pelo conhecimento da estratégia de ensino a
ser adotada, do nível educativo do programa a ser desenvolvido, da proposta
de formação e reciclagem dos professores, e das estratégias de
acompanhamento e avaliação do programa.

Em cursos via Internet, sugere-se que sejam feitos exercícios ou testes
curtos semanais para que os alunos se mantenham atualizados em relação ao
curso.



*7ª parte
*· Sugere-se que a nota final de cursos via rede seja resultante de
diversas atividades de avaliação realizadas durante o curso, como por
exemplo: exame final - 35%, trabalhos realizados durante o curso - 35%,
testes e contribuições nas aulas - 30%.


· Os sistemas administrativos precisam estar estruturados para este
tipo de curso para que ele tenha sucesso.


· Devido aos custos elevados deste tipo de curso, é indicado que
sejam feitos convênios entre instituições de capacitação de professores
públicas e privadas e empresas.


· As instituições devem desenvolver projetos e programas cooperativos
de EAD, devendo se comunicar nos níveis local, regional, nacional e
internacional.


Qualquer que seja o curso via rede, ele só terá chance de sucesso se tiver
apoio da administração da instituição.



*8ª parte*

Focalizando a atenção no professor, aquele que se propuser a ensinar em
sistemas de EAD deve, segundo Wolcott (1995), refletir sobre alguns aspectos
fundamentais, que são:


· Contexto de ensino – que é alterado devido à separação física
entre os participantes do processo e mediatizado pelo uso da tecnologia; o
ambiente de aprendizagem assume nova configuração. O professor, para atuar
efetivamente, precisa reconhecer essa mudança no ambiente e sua influência
no contexto. Mais especificamente, o professor precisa trabalhar com as
potencialidades do meio e adaptá-lo às limitações impostas à sua abordagem
instrucional;


· Alunos – em programas de EAD eles vivenciam a aprendizagem de
maneira diferente do ensino presencial, portanto têm uma perspectiva
diferente daqueles que não estão separados do locus de instrução. O
professor precisa estar atento e sensível aos obstáculos psicológicos,
sociais e técnicos a serem enfrentados pelo aluno de cursos via EAD.


· Métodos – uma vez que as pesquisas nessa área continuam afirmando
que "o que constitui instrução efetiva varia com o contexto" (Brophy & Good,
em Wolcott, 1995); daí profissionais de EAD deverem ser cuidadosos em
simplesmente não reaplicarem métodos tradicionais de ensino presencial, pois
precisam reconhecer que eles não podem ser simplesmente utilizados em
situações de EAD. Há necessidade de serem exploradas estratégias
alternativas de ensino, contextualizadas no ambiente de EAD. Os métodos de
ensino de EAD devem, em geral, buscar reduzir a distância interpessoal,
promover a interação, aumentar o feedback e garantir a aprendizagem e a
transferência da mensagem.


Willis (1994) comenta que as instituições de ensino que optarem pela EAD e
pela manutenção da sua credibilidade e respeito usando tecnologia inovadora
para chegar aos alunos em lugares distantes e atendendo às suas
necessidades, além de observar os aspectos acima destacados, não podem se
intimidar pelos obstáculos apresentados por esta modalidade de ensino.
Entretanto, ao invés de lidarem com esses desafios de forma criativa, em
geral elas:


· Enfrentam desafios não tradicionais de maneira muito tradicional;


· Reagem a situações quando elas estão fora de controle, ao invés de
responderem ativamente enquanto o sucesso ainda pode ser alcançado;


· Ignoram as necessidades e a realidade dos alunos que atendem;


· Gastam energia protegendo o território ao invés de criarem
parcerias com empresas, indústrias e outras instituições de aprendizagem;


· Compram soluções técnicas para problemas instrucionais, elaboradas
para consumo "barato", acreditando que se elas funcionam para a instrução
"A", vão também funcionar para a instrução "B".


Finalmente, ao se tratar da construção de novos espaços de aprendizagem via
EAD, cabe lembrar experiências que utilizavam telesalas (educação via
televisão). A raiz de alguns fracassos de telesalas faz-nos pensar que a
interação direta professor-aluno é, em muitos aspectos, insubstituível, e
que o recurso audiovisual não basta para assegurar a construção de
conhecimento. Acontece que o problema é muito mais amplo, educar a distância
implica em implementar todo um sistema que vai do diagnóstico das
necessidades do público-alvo até a avaliação do processo.


Ao se tratar de EAD via rede, a problemática é semelhante, sendo a sua
dinâmica diferenciada, talvez até um pouco mais acelerada do que a imprimida
em sistemas de EAD que utilizam tecnologias outras que a de rede de
computadores.


9ª parte:*

*Buscando o equilíbrio*


A oferta de cursos via rede de computadores cresce a cada dia e
conseqüentemente aumenta a experiência nessa modalidade de EAD,
consagrando-a como mais um espaço genuíno de aprendizagem e por que não
também de capacitação de professores?

Uma avaliação anônima de um curso para professores via Internet nos Estados
Unidos, mostrou que todos eles recomendariam este tipo de curso de EAD aos
seus colegas. 94% disseram que se sentiram adequadamente conectados com o
instrutor - mais conectados ou tão conectados quanto nos cursos
presenciais;
81% afirmaram preferir fazer cursos via Web; e 19% gostariam de tentar uma
combinação de cursos via Web e formas tradicionais de ensino (Kubala,
1998).

Construir conhecimento hoje significa, na opinião de Moran (1998),
compreender todas as dimensões da realidade, captando e expressando essa
totalidade de forma cada vez mais ampla e integral. Acredita-se hoje que o
processo de construção do conhecimento é melhor desenvolvido quando
conectamos, juntamos, relacionamos, acessamos o objeto de todos os pontos
de
vista, por todos os caminhos, integrando-os da forma mais rica possível.

Esta idéia nos leva a afirmar que a rede de computadores não pode ser
negligenciada no que diz respeito a capacitação de professores, uma vez que
ela possibilita esse tipo de construção de conhecimento não linear; por
outro lado, não podemos considerá-la tão importante enquanto espaço de
aprendizagem que nos leve a negar outros espaços já consagrados em nosso
fazer pedagógico. Por isso sugerimos a busca contínua de conhecimento,
incluindo o domínio desta tecnologia, de modo a descobrir suas
possibilidades como um espaço a mais de aprendizagem.